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Dengue: 49% dos municípios avaliados têm alerta ou risco de infestação

Levantamento do Ministério da Saúde revela situação do mosquito transmissor às vésperas do período de maior risco de dengue no país

O Ministério da Saúde identificou índices de alerta ou risco de infestação pelo Aedes aegypti em cerca de 49% dos 3.732 municípios que enviaram dados ao segundo levantamento entomológico de 2026. O resultado, divulgado em 7 de outubro, expõe a presença do mosquito transmissor da dengue em diferentes regiões do Brasil e reforça a necessidade de prevenção antes do verão, período em que as condições ambientais favorecem sua proliferação.

A avaliação foi realizada entre maio e agosto, por meio do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) e do Levantamento de Índice Amostral (LIA). Conforme a Nota Informativa nº 11/2026, 1.525 municípios apresentaram índices de alerta e 309 foram classificados em situação de risco. Outros 1.898 registraram níveis considerados satisfatórios.

Os dados enviados correspondem a 67% dos 5.571 municípios contabilizados na nota federal. A classificação mede a infestação do mosquito nos imóveis avaliados, não a quantidade de pessoas infectadas. Portanto, estar em situação de alerta ou risco entomológico não significa, necessariamente, que o município esteja enfrentando uma epidemia de dengue.

Nordeste e Sul apresentam os maiores percentuais de alerta ou risco

A distribuição dos resultados mostra diferenças importantes entre as regiões brasileiras. No Nordeste, 56,5% dos 1.132 municípios que informaram dados ficaram nas categorias de alerta ou risco. No Sul, essa proporção alcançou 53,7% dos 399 participantes.

O Sul também apresentou o maior percentual de municípios exclusivamente na classificação de risco, com 13,3%. No Nordeste, esse índice foi de 10,3%, enquanto o Norte registrou 9,1%, o Sudeste, 6,2%, e o Centro-Oeste, 5,4%.

A situação de cada localidade depende do Índice de Infestação Predial (IIP), calculado a partir da presença de larvas do mosquito nos imóveis pesquisados. Resultados inferiores a 1% são considerados satisfatórios; de 1% a 3,9%, indicam alerta; e a partir de 4%, caracterizam risco.

Essa diferenciação ajuda os serviços municipais de vigilância a identificar onde as medidas de controle precisam ser intensificadas, sem confundir a presença do vetor com a transmissão efetiva da doença.

Reservatórios de água concentram criadouros no Nordeste

O levantamento também revela onde estão os principais focos do mosquito. No conjunto nacional, 42,3% dos criadouros identificados estavam em depósitos móveis, como vasos, pratos de plantas, garrafas e outros recipientes capazes de acumular água.

Os reservatórios utilizados para armazenamento de água representaram 26,1% dos registros, enquanto pneus e resíduos sólidos responderam por outros 23%.

No Nordeste, porém, a situação é diferente. Os depósitos de armazenamento de água concentraram 60,1% dos criadouros identificados na região, incluindo caixas-d'água, tonéis, tambores, barris e cisternas.

Na Região Norte, pneus e resíduos sólidos foram predominantes, com 43,2%. Já no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, a maior participação ocorreu entre os depósitos móveis, que incluem recipientes pequenos encontrados em residências e outros imóveis.

O resultado evidencia a importância de adaptar as medidas de prevenção às características de cada território. Em locais onde o armazenamento doméstico de água concentra os criadouros, a vedação adequada dos reservatórios ganha relevância especial.

Casos de dengue caem em 2026, mas há alerta para o próximo verão

A preocupação com a infestação ocorre mesmo diante da redução expressiva dos registros da doença. Até 26 de setembro, o Brasil havia contabilizado aproximadamente 470,5 mil casos prováveis de dengue em 2026, contra cerca de 1,5 milhão no mesmo período de 2025, uma queda próxima de 70%, segundo o balanço divulgado pelo Ministério da Saúde.

A diminuição, entretanto, não elimina o risco de crescimento da transmissão no próximo período sazonal.

Em julho, o Ministério da Saúde publicou a Nota Informativa nº 10/2026, alertando para a possibilidade de aumento dos casos de arboviroses durante o ciclo 2026/2027, em razão de condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño.

O documento aponta que mudanças nas chuvas e nas temperaturas podem favorecer a transmissão das doenças. Em determinadas regiões, períodos de seca também estimulam o armazenamento de água, ampliando as oportunidades de reprodução do mosquito quando os depósitos não estão devidamente protegidos.

O alerta trabalha com cenários e projeções epidemiológicas, sujeitos a alterações. Não representa confirmação de uma nova epidemia nacional.

Diante desse quadro, o Ministério da Saúde orienta a manutenção das medidas de controle durante todo o ano, com atenção reforçada antes e durante o verão.

Entre os cuidados recomendados estão manter caixas-d'água, tonéis e cisternas bem fechados, limpar calhas e ralos, guardar garrafas e baldes virados para baixo e eliminar recipientes que possam acumular água. Pneus, latas e entulhos também devem receber destinação adequada.

As ações envolvem moradores, agentes de combate às endemias e serviços de saúde. Para acompanhar indicadores epidemiológicos e níveis de alerta de arboviroses nos municípios com dados disponíveis, a população também pode consultar a plataforma InfoDengue, indicada pelo Ministério da Saúde.

A principal consequência do levantamento é que, mesmo com menos casos de dengue em 2026, a presença do mosquito em municípios de todas as regiões mantém a prevenção como uma necessidade imediata para reduzir o risco de transmissão nos próximos meses.

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