O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) calcula a sensação térmica por meio do Índice Termoclimático Universal (UTCI), combinando dados de temperatura do ar, umidade e velocidade do vento com um modelo termofisiológico. O cálculo é feito a cada hora a partir das informações recebidas da rede de estações meteorológicas automáticas e permite classificar as condições de estresse térmico por calor ou frio.
Isso significa que a sensação térmica não é uma segunda medição da temperatura ambiente. A temperatura do ar é uma das variáveis empregadas no cálculo do índice, ao lado da umidade e do vento. O documento técnico do INMET registra que o instituto começou, em 2020, a divulgar a sensação térmica para os municípios brasileiros seguindo o UTCI, índice desenvolvido no âmbito da Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
O detalhamento está disponível no documento oficial do INMET sobre o Índice de Conforto Térmico.
Temperatura do ar e sensação térmica representam informações diferentes
A diferença entre os dois números aparece porque o UTCI reúne mais fatores do que a temperatura registrada pela estação. Segundo o INMET, as variáveis meteorológicas necessárias ao cálculo são velocidade do vento, umidade e temperatura do ar, combinadas ao modelo termofisiológico adotado pelo índice.
Um registro oficial de janeiro de 2020 ajuda a visualizar essa diferença. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, o INMET informou temperatura de 37,9°C e umidade relativa de 37% por volta das 13h do dia 11, enquanto a sensação térmica chegou a 43°C. Em Niterói, a temperatura registrada foi de 39,1°C e a sensação térmica alcançou 46°C.
Os valores, portanto, não são intercambiáveis: um informa a temperatura observada do ar; o outro resulta do índice calculado com as variáveis previstas na metodologia do INMET.
UTCI também indica o nível de estresse por calor ou frio
Além de gerar uma temperatura equivalente, o UTCI enquadra o resultado em categorias de estresse térmico. A classificação oficial vai de condições de calor extremo a frio extremo.
No documento do INMET, valores de +9°C a +26°C no UTCI aparecem na faixa sem estresse térmico. De +26°C a +32°C, a classificação passa para estresse por calor moderado; de +32°C a +38°C, elevado; e de +38°C a +46°C, muito elevado. Acima de +46°C, o índice entra na categoria de estresse por calor extremo.
Para o frio, o instituto também divide o UTCI em níveis progressivos — ligeiro, moderado, elevado, muito elevado e extremo. Valores inferiores a -40°C aparecem na categoria de estresse por frio extremo.
Essa classificação dá contexto ao número exibido: a leitura do índice não se resume aos graus Celsius, mas também ao nível de estresse térmico correspondente às condições calculadas.
Cálculo é atualizado a cada hora com dados da rede automática
O INMET informa que calcula o UTCI a cada hora, utilizando dados recebidos de suas estações meteorológicas automáticas. A própria página de serviços do instituto informa que as observações dessas estações são disponibilizadas diariamente, de hora em hora, com consulta aos últimos 90 dias.
A rede de observação é parte da estrutura empregada pelo instituto para acompanhar as condições atmosféricas. Em sua página sobre instrumentos meteorológicos, o INMET informa administrar mais de 700 estações no território nacional e afirma que as automáticas captam dados a cada hora.
Há, porém, um cuidado importante para quem consulta diretamente os registros das estações. O próprio instituto esclarece que os dados das estações automáticas são brutos e não passam por processo de consistência ou validação antes da disponibilização. Falhas de sensores, problemas de comunicação ou ausência de observações também podem aparecer no sistema.
A consulta às observações pode ser feita pelo serviço oficial de Estações Automáticas do INMET. A página informa ainda os telefones (61) 2102-4650 e (61) 2102-4645 para contato com a unidade responsável pelo serviço.
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