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PrEP no SUS é gratuita, mas uso sob demanda tem critérios específicos

Protocolo do Ministério da Saúde restringe esquema 2+1+1 por perfil, frequência das relações e possibilidade de planejamento

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) é oferecida gratuitamente pelo SUS, mas o esquema usado depende do perfil e das circunstâncias de cada pessoa. O protocolo vigente do Ministério da Saúde prevê a modalidade diária e a modalidade sob demanda — conhecida como 2+1+1 —, esta última restrita a grupos e condições específicas.

A PrEP utiliza a combinação dos medicamentos tenofovir e entricitabina antes de possíveis exposições para reduzir o risco de infecção pelo HIV. O atendimento pode ser procurado na rede do SUS, onde a indicação deve ser avaliada individualmente e acompanhada de testagem e seguimento.

A versão de 2025 do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas ampliou e detalhou as possibilidades de cuidado. O documento deixa claro que a PrEP não é restrita às chamadas populações-chave: pode ser indicada a pessoas a partir de 15 anos, com peso igual ou superior a 35 quilos, sexualmente ativas e em contexto de maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV.

Consulte a página oficial da PrEP no Ministério da Saúde

Quem pode usar a PrEP sob demanda

A diferença mais importante está na modalidade 2+1+1. Pelo PCDT, podem ser elegíveis homens cis — heterossexuais, bissexuais, gays e outros homens que fazem sexo com homens —, pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer, travestis e mulheres transexuais que não utilizem hormônios à base de estradiol.

Pertencer a um desses grupos, sozinho, não basta. O protocolo exige ainda que a pessoa tenha habitualmente relações sexuais menos de duas vezes por semana e consiga prever ou planejar a relação com pelo menos duas horas de antecedência. Quando as relações passam a ser mais frequentes, a recomendação é migrar para a PrEP oral diária.

Há outra limitação decisiva: os estudos avaliados pelo Ministério da Saúde não apresentaram evidência de proteção da PrEP sob demanda para relações sexuais neovaginais receptivas. O PCDT, por isso, indica essa modalidade para relações anais, insertivas ou receptivas, e vaginais insertivas, dentro dos demais critérios de elegibilidade.

Isso impede tratar a PrEP sob demanda apenas como uma versão mais conveniente da profilaxia. A escolha entre os esquemas deve considerar perfil, frequência das relações, previsibilidade e demais condições clínicas previstas no protocolo.

Como funciona o esquema 2+1+1

Na PrEP sob demanda, a dose inicial é de dois comprimidos entre duas e 24 horas antes da relação sexual. Depois, é tomado um comprimido 24 horas após essa dose inicial e outro 24 horas depois da segunda dose.

Se houver nova relação sexual nos dias seguintes, o protocolo estabelece continuidade de um comprimido por dia até 48 horas após o último evento sexual. Quando existe intervalo superior a um dia entre o último comprimido e uma nova relação, o esquema 2+1+1 deve ser reiniciado.

A regularidade das consultas e dos exames laboratoriais é a mesma para as modalidades diária e sob demanda. A decisão sobre qual delas utilizar deve ocorrer no acompanhamento em saúde, e não apenas pela preferência por tomar o medicamento continuamente ou em ocasiões específicas.

Quem pode procurar o SUS para avaliar a PrEP

O Ministério da Saúde cita entre as situações que podem aumentar a indicação da profilaxia o histórico de infecções sexualmente transmissíveis, uso repetido da Profilaxia Pós-Exposição (PEP), prática de chemsex e uso nem sempre consistente de preservativo. Esses exemplos não funcionam como uma lista fechada: a avaliação da vulnerabilidade deve ser individualizada.

Antes do início da PrEP, a testagem para HIV é indispensável. O protocolo também prevê avaliação clínica e exames relacionados a outras ISTs, hepatites e função renal de acordo com idade, histórico e demais condições de saúde.

A hepatite B, por exemplo, interfere na escolha da modalidade: para pessoas com hepatite B crônica, o protocolo estabelece a PrEP oral diária como modalidade de escolha, devido aos riscos associados ao uso intermitente do tenofovir.

Se a exposição já ocorreu, a avaliação pode ser para PEP

PrEP e PEP têm finalidades diferentes. A PrEP é usada como prevenção antes das exposições. A PEP é uma medida de urgência destinada a situações em que uma possível exposição já ocorreu.

Quem procura a PrEP e relata exposição potencial ao HIV nas últimas 72 horas deve ser avaliado para início imediato da PEP. O tratamento pós-exposição contra o HIV dura 28 dias e deve começar o mais rápido possível, dentro dessa janela máxima.

Veja a orientação oficial sobre PEP no SUS

Após a conclusão da PEP, pessoas que permaneçam em situação de vulnerabilidade podem ser avaliadas para transição à PrEP. O próprio protocolo prevê essa continuidade como forma de evitar uma lacuna desnecessária na prevenção.

PrEP protege contra HIV, não contra todas as ISTs

A PrEP reduz o risco de infecção pelo HIV, mas não protege contra as demais infecções sexualmente transmissíveis. O Ministério da Saúde mantém a profilaxia dentro da estratégia de prevenção combinada, que pode reunir testagem, preservativos e outras medidas conforme as necessidades de cada pessoa.

Quem considera iniciar a PrEP pode procurar a rede do SUS para verificar a indicação, fazer a testagem necessária e definir com o serviço de saúde qual modalidade é compatível com seu perfil e suas circunstâncias.

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