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Novembro Azul: INCA não recomenda exames de próstata de rotina

Orientação vale para homens sem sintomas; Instituto estima 77.920 novos casos anuais e reforça a importância de investigar sinais suspeitos

O Ministério da Saúde recomenda, em todo o Brasil, que homens sem sinais ou sintomas de câncer de próstata não sejam convocados para exames de rotina de PSA ou toque retal. A orientação, reafirmada na Nota Técnica nº 9/2023, assinada também pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), ganha relevância com a aproximação do Novembro Azul, mês dedicado à conscientização sobre a saúde masculina.

A recomendação não significa deixar de investigar a doença. O Ministério distingue os exames realizados em pessoas sem sintomas, chamados de rastreamento, daqueles utilizados para esclarecer sinais suspeitos. Essa diferença é central para orientar a população sobre quando procurar atendimento e quais cuidados realmente podem trazer benefícios.

O câncer de próstata permanece entre os principais desafios da saúde masculina. Segundo as estimativas oficiais do INCA para 2026 a 2028, são esperados 77.920 novos casos por ano no Brasil. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais incidente entre os homens no país.

Por que o INCA não recomenda exames de rotina para todos os homens

A posição do Ministério da Saúde considera os possíveis danos associados ao rastreamento populacional. A Nota Técnica nº 9/2023 explica que a realização sistemática de exames pode aumentar a identificação de tumores sem necessariamente produzir uma redução significativa da mortalidade pela doença.

Parte desses tumores apresenta crescimento lento e poderia não representar ameaça à vida. O problema é que nem sempre é possível distinguir, no momento do diagnóstico, quais terão comportamento agressivo.

Nessas circunstâncias, a investigação pode desencadear procedimentos e tratamentos desnecessários. Entre os riscos apontados estão ansiedade, complicações decorrentes de biópsias e consequências de tratamentos, como disfunções sexuais e urinárias.

Isso não torna o PSA ou o toque retal exames proibidos ou sem utilidade. Ambos podem integrar a avaliação médica diante de suspeitas clínicas ou condições individuais de maior risco. O Ministério da Saúde esclarece que alterações no PSA também podem ocorrer em doenças benignas da próstata.

Para homens sem sintomas que desejam realizar o rastreamento, a orientação oficial é discutir os possíveis benefícios e riscos com um profissional de saúde antes da decisão.

Quais sintomas devem levar o homem a procurar uma UBS

A ausência de recomendação para exames indiscriminados não reduz a importância do diagnóstico precoce. O INCA alerta que o câncer de próstata pode evoluir silenciosamente em sua fase inicial, enquanto determinadas alterações urinárias precisam ser investigadas.

Entre os sinais que merecem avaliação profissional estão dificuldade para urinar, diminuição da força do jato urinário, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina.

Esses sintomas também podem estar associados a doenças benignas, como o aumento não canceroso da próstata. Por isso, sua presença não confirma câncer, mas justifica a busca por atendimento.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada recomendada para essa avaliação. A nota técnica orienta os gestores a organizar a atenção primária para permitir a investigação rápida das queixas e o encaminhamento necessário conforme cada caso.

Quem precisa localizar uma unidade pode utilizar o Meu SUS Digital, que permite consultar UBS e visualizar rotas de acesso. O 2ViaOnline também explica como acessar os serviços disponíveis na plataforma.

A idade avançada e o histórico familiar também merecem atenção. O INCA identifica maior risco com o envelhecimento e entre homens cujo pai ou irmão teve câncer de próstata antes dos 60 anos. Essas informações devem integrar a avaliação individual, sem serem confundidas com indicação automática de rastreamento para toda a população.

Novembro Azul também reforça outros cuidados com a saúde masculina

A campanha não se limita ao câncer de próstata. Na orientação oficial sobre o Novembro Azul, o Ministério da Saúde destaca a importância do cuidado integral, incluindo saúde mental, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, acompanhamento de hipertensão e diabetes, prevenção de acidentes e adoção de hábitos saudáveis.

A proposta é estimular uma relação mais contínua dos homens com os serviços de saúde, em vez de concentrar a atenção em um único exame durante novembro.

Para quem apresenta alterações urinárias, possui histórico familiar da doença ou deseja esclarecer dúvidas sobre exames, o caminho indicado é procurar atendimento profissional. O cuidado não depende do calendário da campanha e deve considerar as necessidades individuais de cada paciente.

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