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Mutirão da Febraban começa em 2 de novembro; veja quais dívidas entram

Campanha segue até o dia 30, com negociação pelos bancos e pelo Consumidor.gov.br; financiamentos com bens em garantia ficam fora

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) realizará em todo o país, de 2 a 30 de novembro de 2026, uma nova edição do Mutirão Nacional de Negociação e Orientação Financeira. A iniciativa permitirá que consumidores com dívidas bancárias em atraso busquem condições especiais de pagamento diretamente com as instituições credoras, pelo Consumidor.gov.br ou com o apoio dos Procons.

O período e as condições de participação estão disponíveis na página oficial do Mutirão de novembro de 2026. A ação reúne a Febraban e bancos associados, em parceria com o Banco Central, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e entidades de defesa do consumidor.

A possibilidade de renegociação, porém, não significa desconto automático. As condições oferecidas dependem das propostas das instituições financeiras, e o consumidor precisa avaliar se o novo compromisso cabe no orçamento antes de formalizar o acordo.

Cartão, cheque especial e consignado entram; dívidas com garantia ficam fora

O mutirão alcança diferentes modalidades de crédito contratadas em bancos e financeiras, desde que estejam em atraso e atendam às condições da campanha. Entre as operações elegíveis estão dívidas de cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal e crédito consignado.

A restrição mais importante envolve contratos com bens dados em garantia. Financiamentos de veículos, motocicletas e imóveis nessa condição não poderão ser negociados pelo mutirão. Dívidas prescritas também ficam excluídas.

Quem possui pendências com diferentes instituições poderá abrir mais de uma negociação. A própria Febraban, entretanto, condiciona essa possibilidade à capacidade de assumir as parcelas resultantes dos acordos.

Essa distinção é relevante porque os bancos também podem disponibilizar, em seus canais habituais, alternativas de renegociação para contratos que não fazem parte da campanha. A existência dessas ofertas não modifica as regras de elegibilidade do mutirão.

Negociação poderá ser feita pelos bancos, pelo Consumidor.gov.br e nos Procons

O principal caminho de acesso será o atendimento das instituições financeiras participantes. A Febraban reúne, na página do mutirão, os canais disponibilizados por bancos, financeiras e cooperativas de crédito, incluindo plataformas digitais e contatos de atendimento.

O consumidor poderá procurar seu credor, informar que deseja participar da campanha e conhecer as condições disponíveis. Se considerar a proposta adequada, poderá solicitar a formalização do acordo.

Outra alternativa será o Consumidor.gov.br, plataforma pública e gratuita que permite registrar pedidos de negociação com instituições participantes. Para utilizar o serviço, é necessário possuir uma conta Gov.br de nível prata ou ouro. O consumidor também deve verificar se a instituição está cadastrada na plataforma.

Nesse canal, a instituição tem até dez dias para analisar e responder à solicitação. O prazo é de resposta, não uma garantia de que o pedido será aceito ou de que determinado desconto será concedido.

Os Procons também prestarão orientação e apoio aos consumidores. O atendimento presencial deverá observar o funcionamento de cada unidade, e a Febraban disponibiliza uma relação de órgãos estaduais na página da campanha.

Consulta às dívidas e cuidado com golpes antes de fechar acordo

A preparação para novembro pode começar pela identificação dos contratos em aberto. O Relatório de Empréstimos e Financiamentos (SCR), do Banco Central, permite consultar informações de operações de crédito registradas em nome do cidadão, incluindo saldos devedores e a situação dos compromissos.

Segundo o BC, o documento apresenta dívidas superiores a R$ 200 informadas pelas instituições do Sistema Financeiro Nacional, além de outros compromissos financeiros. A consulta não substitui o contato com o banco para obter a posição atualizada de cada contrato.

O relatório é acessado pelo Meu BC, com conta Gov.br prata ou ouro e verificação em duas etapas habilitada. Os dados não são atualizados imediatamente após o pagamento, pois as instituições encaminham informações mensalmente ao Banco Central.

Conhecer os valores devidos e o peso das parcelas é importante para avaliar se a renegociação realmente permitirá reorganizar as contas. O 2ViaOnline também reúne orientações do Banco Central para quem precisa sair das dívidas, incluindo cuidados antes de assumir novos compromissos.

Há uma ressalva especialmente importante para consumidores em situação de superendividamento. Quando o pagamento das dívidas compromete despesas essenciais, como alimentação e moradia, a Febraban não recomenda o uso do mutirão como solução individual. A orientação é procurar o Procon para receber atendimento adequado à situação, considerando as proteções previstas na Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento.

A segurança também exige atenção. Em comunicado publicado em 9 de outubro, a Febraban alertou para criminosos que utilizam indevidamente seu nome e esclareceu que não entra em contato com consumidores por WhatsApp, SMS, e-mail ou telefone para realizar operações financeiras.

Por isso, o interessado deve iniciar o atendimento pelos canais oficiais do banco ou pelas plataformas indicadas pela campanha, sem fornecer senhas ou códigos de segurança a contatos desconhecidos. O prazo anunciado para a edição de novembro termina em 30 de novembro de 2026.

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