Duas ferramentas gratuitas do Banco Central ajudam pessoas físicas de todo o país a reduzir o risco de uso indevido do CPF no sistema financeiro. O BC Protege+ registra uma restrição contra a abertura de novas contas, enquanto o Registrato permite conferir relacionamentos bancários, chaves Pix e operações de crédito já informadas pelas instituições.
Os serviços atuam em momentos diferentes. O primeiro tenta impedir uma contratação feita sem autorização do titular; o segundo reúne vínculos que já constam nas bases do Banco Central. A proteção precisa ser ativada pelo usuário e tem alcance específico — não funciona como bloqueio geral do CPF para qualquer produto financeiro.
| Imagem ilustrativa gerada por IA |
Restrição alcança três tipos de conta
Disponível desde 1º de dezembro de 2025, o BC Protege+ permite informar ao Sistema Financeiro Nacional que o titular não deseja abrir novas contas nem ser incluído como titular ou representante em contas de terceiros.
A proteção alcança conta corrente, poupança e conta de pagamento pré-paga. As instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central devem consultar o sistema antes de concluir uma dessas operações. A base normativa está na Resolução BCB nº 475, regulamentada pela Instrução Normativa BCB nº 661.
O alcance tem limites importantes. Segundo o Banco Central, a restrição não se aplica a contas destinadas exclusivamente ao pagamento de salários ou benefícios. Também ficam fora cartões, empréstimos, investimentos e outros produtos que não sejam os três tipos de conta abrangidos.
O serviço tampouco funciona como canal de encerramento. Como a consulta ocorre antes da abertura da conta ou da inclusão de um titular ou representante, um relacionamento que já exista precisa ser verificado e contestado diretamente com a instituição responsável.
Acesso exige proteção reforçada da conta gov.br
A ativação é feita na área do Meu BC, com conta gov.br de nível prata ou ouro e verificação em duas etapas habilitada. Depois do login, o usuário deve abrir o BC Protege+ e registrar a restrição para seu CPF.
Quem quiser contratar uma nova conta de forma legítima poderá desativar a proteção. O próprio sistema permite escolher por quanto tempo ela permanecerá suspensa. A alteração pode ser feita sempre que necessário.
O BC Protege+ também conserva um histórico de consultas, no qual aparecem a instituição que verificou o CPF e a finalidade informada, como abertura de conta ou inclusão de titular ou representante.
A medida acrescenta uma barreira, mas não transfere toda a responsabilidade ao consumidor. O próprio BC ressalta que o serviço é uma camada adicional: bancos e instituições de pagamento continuam responsáveis por verificar a identidade dos clientes.
Registrato revela vínculos já informados ao Banco Central
Para saber se o CPF já foi usado em uma contratação, o caminho é o Registrato, também disponível na área logada do Meu BC. O sistema oferece cinco tipos de relatório, mas três concentram as informações mais úteis para identificar possíveis irregularidades.
- Contas e Relacionamentos (CCS): informa em quais bancos e instituições de pagamento existe ou existiu conta, investimento ou outro relacionamento. O documento ajuda a encontrar um vínculo desconhecido, mas a presença de uma instituição não significa necessariamente que exista uma conta corrente ativa.
- Chaves Pix: oferece um relatório das chaves atuais e outro completo, com o histórico dos registros vinculados ao CPF e as respectivas instituições. A atualização ocorre em tempo real.
- Empréstimos e Financiamentos (SCR): apresenta dívidas em dia ou em atraso informadas por bancos e financeiras. Segundo o Banco Central, as informações aparecem quando o valor é igual ou superior a R$ 200.
O Registrato ainda oferece relatórios sobre cheques sem fundos e operações de câmbio e transferências internacionais. A consulta é gratuita e protegida pelo acesso individual à conta gov.br.
Os prazos de atualização não são iguais. O relatório de Contas e Relacionamentos é atualizado diariamente, mas pode apresentar atraso de até dois dias úteis. Já o relatório de crédito não muda imediatamente após contratação, pagamento ou quitação, porque as instituições enviam os dados do SCR mensalmente.
Uma operação recém-contratada ou quitada, portanto, pode não aparecer na posição mais recente. Antes de concluir que existe erro, o consumidor deve conferir a data de referência apresentada no documento.
Instituição que enviou o dado deve fazer a correção
Se aparecer uma conta, chave Pix ou dívida desconhecida, o primeiro contato deve ser feito com a instituição indicada no relatório. É ela que detém os dados da contratação e responde pelas inclusões, correções e exclusões enviadas ao Banco Central.
O consumidor deve pedir informações sobre a origem do vínculo, solicitar bloqueio ou encerramento quando houver fraude e guardar os protocolos de atendimento. Para uma conta aberta mesmo com o BC Protege+ ativado, a orientação oficial é procurar a ouvidoria da instituição e requerer a regularização.
Sem solução, é possível registrar demanda no Consumidor.gov.br, procurar o Procon ou apresentar uma reclamação ao Banco Central. O BC usa esses registros em suas ações de supervisão, mas não atua como mediador de conflitos individuais entre clientes e instituições.
Quando houver indício de falsidade ideológica, abertura fraudulenta ou outro crime, o Banco Central também orienta o registro da ocorrência na Polícia Civil.
A combinação das duas ferramentas amplia a proteção: o BC Protege+ age contra novas aberturas, enquanto o Registrato permite verificar o que já está associado ao CPF. Nenhum dos serviços representa blindagem completa, mas ambos oferecem informações e mecanismos oficiais para o consumidor reagir a um vínculo desconhecido.
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